“Ser investigador MIES é um mundo”

filipa carlosFilipa Carlos é investigadora MIES e acompanha o projeto desde o seu início. Entusiasta e excelente comunicadora, Filipa encontra muita inspiração nas iniciativas que visita no terreno. A investigadora partilha connosco os desafios de estar em campo e descreve-nos o dia-a-dia de quem está no terreno, onde tudo realmente acontece.

 

 

MIES: Descreva, por favor, o dia-a-dia do investigador MIES no terreno.
Filipa Carlos: Nos dias em que vamos ao terreno temos que acordar realmente cedo, para estarmos entre as nove e as dez da manhã nos locais das reuniões. Há dois momentos da metodologia em que vamos para campo: entrevistas com os Observadores Privilegiados e no Questionário da Iniciativa – estes são os dois momentos em que vamos para o local e estamos com as pessoas para tentar perceber como está o ecossistema de empreendedorismo social.

M: Quais são os maiores desafios no terreno?
FC: Há o desafio de estar com o entrevistado, mostrar-lhe o que é o nosso projeto (Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social) e quebrar um pouco o gelo. Há também o desafio da adaptabilidade. Visitamos muitas iniciativas diferentes, desde o setor público ao privado, com diferentes âmbitos de intervenção e é um desafio perceber cada um destes setores.
E depois há desafios um pouco mais práticos como o de andar a correr de um lado para o outro (para visitar o máximo de iniciativas quando estamos no terreno). É desafiante também conciliar os nossos timings com as disponibilidades no terreno. Para este projeto é essencial a disponibilidade e colaboração de quem conhece a sua terra e pode fazer a devida caracterização.

M: Quais são as funções do investigador MIES, quando não está em campo?
FC: Estar no terreno é a parte mais visível do trabalho do investigador, mas há muito trabalho de bastidor, que exige muita preparação. A fase metodológica dos Telefonemas de Despiste é sempre feita no escritório, e é muito intensa. Temos que contatar todas as iniciativas que nos foram referenciadas (pelos Observadores Privilegiados) e tentar brevemente, por telefone, fazer uma caracterização das iniciativas (cerca de 800). Depois há todo um trabalho de investigação para perceber a abordagem territorial, pesquisar contactos, marcar reuniões, preparar a documentação para essas reuniões e preparação dos questionários com base na informação que já nos foi cedida. Vamos fazendo simultaneamente um tratamento de dados recolhidos.

M: Na sua opinião, quais são as características essenciais para que determinado projeto seja considerado uma iniciativa de empreendedorismo social?
FC: Tem que haver paixão em levar determinado projeto até ao fim. É muito claro que as iniciativas que têm uma pessoa dedicada vão mais longe. A simplicidade é uma característica importante, assim como ser possível contabilizar os resultados objetivamente.

M: Como descreveria em poucas palavras a metodologia do MIES?
FC: A metodologia que estamos a aplicar no MIES é a metodologia ES +, desenvolvida pelo IES, que tem como principal objetivo identificar iniciativas de empreendedorismo social com alto potencial, que vêm resolver um problema social.
Os grandes passos da metodologia são:
1º fase – Entrevistas aos Observadores Privilegiados (pessoas que estão no terreno no seu concelho ou freguesia que nos conseguem caracterizar o ecossistema de empreendedorismo social local) e que nos ajudam a fazer o levantamento das iniciativas existentes.
2º fase – Telefonemas de Despiste que permitem perceber que iniciativas (identificadas anteriormente) estão ativas e se enquadram no nosso conceito de empreendedorismo social. Internamente, os projetos ativos são avaliados pelos seguintes critérios: missão social, impacto, inovação e sustentabilidade, replicabilidade e se geram empoderamento e inclusão social.
3º fase – Questionário Profundo às Iniciativas selecionadas com potencial de Inovação e Empreendedorismo Social que consiste numa entrevista no terreno para conhecer em maior detalhe o seu modelo de funcionamento, quais são as suas atividades-chave e fatores diferenciadores, bem como os pontos fortes e os pontos fracos da iniciativa.
4º Fase - Apresentação da Iniciativa ao Conselho Académico Científico (CAC) para avaliação da iniciativa (aprovação ou não no lote de iniciativa ES+)

M: De que modo esta metodologia é inovadora?
FC: Esta metodologia é inovadora porque é muito simples (assenta basicamente em três passos). É também muito participativa, só nos chegam as iniciativas que sejam referenciadas por quem esteja no terreno. Somos o país pioneiro no mundo a traçar um mapa de inovação e empreendedorismo social!

M: Qual é o próximo passo natural de evolução do projeto MIES?
FC: Uma ambição de toda a equipa do projeto é conseguir chegar ao Algarve, Lisboa e Ilhas, porque só assim faz sentido um mapa de inovação e empreendedorismo social. Nós não imaginávamos, no início, que a informação que íamos recolher podia ser tão valiosa, no sentido de ajudar a fazer a caraterização do nosso país. Se calhar há aqui um grande potencial para perceber quais são os problemas e potencialidades para desenvolver estratégias de ação (de forma integrada).

M: Complete a frase – Ser investigador MIES é....
Ser investigador MIES é um mundo!! É uma riqueza e é uma oportunidade espetacular de encontrar projetos e pessoas incríveis. Estar no terreno é uma grande inspiração para nós.

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